“Tarefa 2-Reflexão de Manuela de Fátima”
A mudança da Web para Web 2.0 implica mudanças ao nível das bibliotecas, que necessitarão de um novo paradigma para a biblioteconomia, entendida como arte de organizar e dirigir bibliotecas.
Web 2.0 é um termo cunhado em 2003 pela empresa norte-americana O’Reilly Media para designar uma segunda geração de comunidades e serviços baseados na plataforma Web ,como Wikis, aplicações baseadas em folksonomia e redes sociais.
As tecnologias proporcionadas pela Web 2.0 (mensagens síncronas –IM( instant messages)- e streaming media, blogs, wikis, redes sociais, tagging ,alimentadores RSS( Really Simple Syndication) e mashups )podem forçar mudanças no modo como as bibliotecas oferecem acesso às coleções ,bem como no suporte do utilizador para ter esse acesso, utilizador que passa a desempenhar um papel central.
O sujeito está no centro da atual (r) evolução tecnológica em curso.
Os utilizadores tornam-se participantes ativos na construção do conhecimento, recorrendo a serviços e funcionalidades novos.
Trata-se de uma Web entendida como espaço interativo, possibilitando a comunicação, troca de impressões, partilha de ideias e voltado para questões tecnológicas e multimédia, aplicando-se aos serviços e coleções de bibliotecas.
Surge pois uma nova forma de as pessoas se relacionarem com a net e é isto que, mais do que uma tecnologia, define a Web 2.0.
Miller (2005) diz precisamente que a Biblioteca 2.0, termo que nasceu com Michael Casey no seu blog libraryCrunch em 2005, resulta da aplicação do pensamento e das tecnologias aos serviços e coleções da biblioteca.
Defende-se uma teoria da Biblioteca 2.0, associada a alguns aspetos essenciais, a saber, uma centralização no utilizador, criador dinâmico de conteúdos (recursos) e serviços da web, tal como o bibliotecário; uma experiência multimedia, pois as coleções e serviços da Biblioteca 2.0 não se desligam do audio nem do vídeo; uma biblioteca que aposta numa interação social que resulta da comunicação, diálogo e partilha entre os utilizadores e entre estes e os bibliotecários de recursos/conteúdos, partilha síncrona (IM) ou assíncrona (wikis); uma biblioteca inovadora que acompanha as mudanças da comunidade em que se inscreve, preocupando-se com facilitar o acesso à informação pelos utilizadores.
A preocupação com os utilizadores e com o facilitar o acesso à informação existe e eles contribuem para a criação de recursos e avaliam-nos. Ou seja, existe uma comunidade que interage e partilha recursos numa rede social de colaboração, através da webpágina e /ou blogue, espaços de criação ativos e interativos onde os multimédia também marcam presença.
O recurso a todas as aplicações e tecnologias Web mencionadas será efetivamente revolucionário para as bibliotecas.
A coleção tornar-se-á interativa e mais acessível; a grande preocupação da Biblioteca e dos bibliotecários será facilitar o acesso à informação, apostando numa alfabetização informacional, válida ao longo da aprendizagem da vida.
Mais do que um lugar onde se encontram livros e revistas será um espaço que interage com a comunidade, com o bibliotecário e partilha conhecimento, criado por todos.
E é aqui que se coloca a questão das diversas aplicações tecnológicas oferecidas pela Web 2.0.
Mas temos que considerar uma verdade dura de aceitar:
” Learning and implementing Web 2.0 requires resources, time, effort and patience”, sobretudo se considerarmos o contexto particular da sala de aula, agora alargado ao espaço da Biblioteca e aos serviços por ela prestados.
A BE, face aos desafios colocados pela Web 2.0, deve ser entendida no contexto da sua missão e objetivos, no contexto da escola e dos diferentes sistemas com os quais interage.
Deve ainda ser entendida no contexto da sociedade de conhecimento, um novo paradigma que confrontou a escola com diferentes modelos de aprendizagem/construção do conhecimento.
É um paradigma que implica necessariamente um alargamento das literacias de acesso à informação e construção do conhecimento numa sociedade em rede e onde a informação está à distância de um rato.
Também neste contexto se promove a competência informacional tão necessária numa sociedade de informação e conhecimento. A valorização da capacidade para saber associada ao saber onde encontrar informação é mais importante do que simplesmente sabê-la.
Os dados são usados e re-usados pelo utilizador (mashups) e redes sociais são construídas. São estas redes /conexões diversas que facilitam a aprendizagem [Connectivism (Seimens,2004).
O ensino potencia os usos tecnológicos que facilitam aquele. Uma aprendizagem assim desenhada centra-se na produção e nos objetivos - falar, ouvir, ler, escrever.
De qualquer forma, todos os recursos de aprendizagem da Web 2.0 (wikipedia, blogs…) fomentam a criatividade e autonomia dos estudantes.
A criação de uma enciclopédia online –wikipedia -resultante da partilha e entreajuda de todos os utilizadores ,constituindo um recurso/conteúdo sujeito a revisão editorial pelo professor bibliotecário poderia ser realizado na minha escola, com o objetivo de promover a inovação e sobretudo a aprendizagem ao longo da vida.
Segundo Forrester, existem sete categorias Web 2.0 que promovem a comunicação da Biblioteca pública: blogs, mashups, podcasting, RSS, redes sociais, wikis e widgets.
São tecnologias digitais que pretendem ligar pessoas, através de novas formas de interação que substituem o face- a -face da BE tradicional, fomentando a criação de relações sociais mais próximas e forjando novas relações virtuais e comunidades ,mesmo com os que não são utilizadores.
A participação dos utilizadores que comentam, acrescentam ideias na página Web do Crelorosae contribuem para essa comunicação.
Esta interação liga-se também à partilha de recursos/ conteúdos (texto, vídeo, áudio)publicados pelos utilizadores que representam uma comunidade online.
As bibliotecas encorajam os utilizadores a formar grupos em torno de temas, autores ou livros de interesse através de uma presença online da Web 2.0. O que também é feito na minha BE da forma já referida.
O fornecimento da informação resulta assim de uma atividade interativa que inclui criação de dados pela comunidade e publicação coletiva.
Embora exista publicidade diversa e recomendações através do blogue e/ou webpágina, poderia também proceder-se a um sistema de tags , bem como classificação da biblioteca mais ampliado.
O bibliotecário pode e deve ser o filtro da informação, alertando os utilizadores para as classificações de recursos mais importantes ou mais valiosas.
A presença online da biblioteca pode pois acontecer através de serviços de desenvolvimento dos leitores, como revisões de livros, grupos de discussão, classificações e sugestões. Ou seja, os utilizadores criam serviços da Biblioteca, ocorrendo uma personalização.
Pode falar-se em SOPAC (Social OPAC -John Blyber, 2007), uma rede de ferramentas sociais integradas no catálogo da Biblioteca que permite aos utilizadores rever, classificar, comentar e indexar itens (Blyberg,2007).
Neste aspeto, o Crelorosae falha, pois não permite que os utilizadores colaborem na elaboração do catálogo.
A criação de blogs pelos bibliotecários (biblioblogosfera), a permissão de publicação de comentários das coleções e entradas no catálogo e ainda o bookmarking ,que permite também a partilha de comentários dos utilizadores são provas dessa SOPAC e que poderiam ser implementadas na minha escola no que se reporta a coleção ,catálogo e bookmarking.
A biblioteca do século XXI utiliza de forma integrada dispositivos ou equipamentos que permitem o acesso e produção da informação (literacias implicadas).
Integra-se numa escola promotora das literacias e competente no uso dos recursos de informação.
A tarefa da BE será preparar os seus públicos para as literacias necessárias ao acesso e uso da informação em ambientes digitais, literacias de natureza operacional , mas também crítica.
Obviamente que tal suscita outras reflexões que se prendem com a necessidade de infraestruturas tecnológicas e recursos humanos qualificados, a complexificação do ato de gestão e das competências do professor bibliotecário, que exigem a definição de uma política e criação de novas ferramentas/novos ambientes de disponibilização da informação e contato com os utilizadores e, por fim, o alargamento da coleção a novos formatos e a transformação da BE num ponto de acesso a documentos fora de portas, longe do espaço físico, que é substituído pelo virtual, remoto.
O professor bibliotecário deverá reunir qualidades específicas, que implicam um conhecimento profissional (conhecimento do processo de ensino -aprendizagem, da comunidade escolar e do currículo, conhecimento especializado de tecnologia e gestão da biblioteca). Essas qualidades passam também pela boa prática profissional, que se evidencia através da criação de um ambiente de aprendizagem proporcionado aos alunos, motivador e rico em informação, colaboração na elaboração de recursos, visando promover e melhorar as literacias da leitura e informação, disponibilização de serviços de informação, avaliação da aprendizagem dos alunos ,serviços e programas que informam sobre as práticas dos professores.
O compromisso profissional, igualmente imprescindível , implica a promoção da aprendizagem ao longo da vida, o compromisso com os princípios de aprendizagem ,a demonstração de liderança na comunidade educativa, a participação nas redes de educação.
Os utilizadores acedem a múltiplas formas de texto, som, imagem, vídeo, o que diversifica grandemente as formas de apropriação do conhecimento.
As bibliotecas afiguram-se neste contexto como importantes veículos de acesso à informação e promoção das literacias da informação e os professores e instituições devem integrar meios, tecnologias, serviços webemergentes e ferramentas da Web social , premiando inovação e boas práticas.
Não podemos porém esquecer que o recurso a ferramentas da Web exige cada vez mais competências de literacia digital no contexto de uma escola do século XXI.
São três as literacias críticas neste contexto: literacia da informação, ou seja, maior ou menor capacidade de com-preender e usar informação escrita, permitindo o desenvolvimento social; literacia digital, ou seja, uso eficaz de pc’s, redes…e sua informação; literacia tecnológica, competências básicas no âmbito das tecnologias.
Embora as três sejam relevantes porque acabam por se complementar, é efetivamente a literacia da informação que se relaciona de forma lata e transversal com uma aprendizagem que deverá ser feita ao longo da vida., que se torna mais significativa quando resulta de um processo interdisciplinar e ligado a necessidades da vida real.
Cabe à escola e à BE/CRE a promoção dessas competências.
Numa sociedade do século XXI, que se carateriza por uma grande evolução tecnológica que facilita a criação de comunidades que interagem e partilham informação, sendo pois criadores da informação, mas também críticos, surge uma BE marcada por essa evolução e que a ela recorre no processo de aprendizagem pela promoção de literacias, que competem também à escola, visando sempre a construção do conhecimento, numa sociedade do conhecimento.
O papel do professor bibliotecário torna-se relevante pois deverá contribuir para esse processo através de uma gestão e organização da BE/CRE entendida neste sentido mais lato.
A BE deve incentivar e apoiar a escola na mudança, que deverá garantir um acesso à informação por cada um dos utilizadores da BE. São estes que criam os recursos e serviços da BE, recorrendo às ferramentas tecnológicas da Web 2.0.
Segundo O’Reilly( 2005),as páginas pessoais tornam-se blogs, as enciclopédias ,wikipedias (enciclopédia online que tem 120 sites de redes sociais),os tutoriais baseados em texto incluem aplicações streaming media(áudio, vídeo),apresentando um carácter mais experimental e inovador, a taxonomia torna-se folksonomia, as questões de pergunta -resposta para apoio do utilizador tornam-se MI.
No Crelorosae, existe um blog associado a uma Web página, como já foi referido, mas também tutoriais que incluem aplicações streaming. Poderia promover-se a wikipedia e a folksonomia. As MI existem quanto mais não seja na plataforma de comunicação online.
A Web 2.0 oferece muitas aplicações tecnológicas/ferramentas que se podem colocar ao serviço da BE: as mensagens síncronas ou MI que permitem uma comunicação real e dinâmica entre utilizadores e bibliotecários para prover serviços de “referência por chat”, que podem substituir o face -a -face com o professor bibliotecário que presta assim atenção às necessidades dos utilizadores.
As MI tornaram-se mensagens multimedia pelo recurso ao áudio e vídeo (streaming media) ao serviço da Biblioteca, que pode colocar links para os seus serviços de referência por chat dentro dos seus próprios recursos.
Tal acontece na webpágina do Crelorosae.
As library websites estão a tornar-se cada vez mais importantes,
O website da biblioteca pode incluir um blog e ainda permitir o acesso a certas contas diretamente do site da biblioteca.
Os blogs e wikis são uma forma de publicidade e carecem de coordenação editorial .
Serão um desafio para o professor bibliotecário porque este terá que ser meticuloso quando adiciona um blog à coleção da BE.
Os wikis demonstram também que o conteúdo é criado e avaliado pelo utilizador, pois são páginas Web abertas onde qualquer pessoa se pode inscrever, publicando, melhorando, mudando.
Não sendo da mesma fidedignidade das fontes tradicionais, tal como as frequentes discussões que acontecem nas enciclopédias online , ou seja. wikipedias ,pois qualquer utilizador registado pode escrever, melhorar ou fazer qualquer outra edição ,estas ferramentas implicam que os bibliotecários revejam tudo, sendo pois um fiiltro da informação que passa.
Um wiki da BE é um serviço que fomenta a interação entre bibliotecários e utilizadores, movendo a sala de grupo de estudos online .Poderia ser uma aposta do Crelorosae.
Os utilizadores compartilham informação, fazem perguntas, respondem a questões e os bibliotecários fazem o mesmo num wiki e esses registos tornam-se recursos para a biblioteca prover como referência.
Os wikis e blogs evoluirão num ambiente mais multimédia com colaborações síncronas e assíncronas de áudio e vídeo.
Os blogs são novas formas de publicação e os wikis novas formas de sala de estudo. São soluções rápidas para colocar coleções e serviços da biblioteca na Web 2.0.É o que acontece no Crelorosae com a disponibilização de um catálogo online.
As redes sociais permitem MI, blogs , streaming media e tags.
Facebook, myspace, del.icio.us e flicker são redes sociais da web que permitem a partilha de recursos.
O facebook, em 2008., tornou-se um serviço público da biblioteca para fazer publicidade. A sua página dá detalhes de serviços e um espaço para discussão ou para pedir conselhos (2008).
O myspace é um site com vídeos, música e blogs.
Librarything é outra rede social que permite que os utilizadores cataloguem os livros e vejam opiniões dos outros sobre esses livros, recomendando. Isso permite uma comunicação assíncrona, a criação de blogs e colocação de tags nos seus livros. É um site para amantes de livros que poderia fazer parte integrante das práticas do Crelorosae.
A catalogação social , como o librarything é um serviço que constrói uma rede social em torno de livros e leituras. Nele podemos apresentar as nossas leituras e trocar impressões.
O catálogo de Web 2.0 pode ser comentado, a informação resulta de um processo,está centrada no utilizador ,considera o hipertexto e não o texto, faz a classificação dos produtos produzidos.
Tal poderia ser uma aposta do Crelorosae.
No domínio das ferramentas Web, pode destacar-se a pesquisa online através de motores de busca, o domínio de estratégias de pesquisa e recursos a guiões que potenciam a produtividade, o uso de plataformas de gestão da aprendizagem que disponibilizam conteúdos e atividades aos alunos e frequentemente a colaboração, o que também acontece na EBICC.
Os marcadores sociais criam e gerem um sistema de marcadores ou favoritos online que devem e podem ser classificados através de um sistema de etiquetas.
As aplicações Google desenvolvem trabalho colaborativo de forma fácil a quem tiver uma conta gmail.
As narrativas podem ser digitais com recurso às ferramentas digitais. O podcasting implica publicação de arquivos de media digital pela net usando um feed RSS que permite ao utilizadores acompanharem a sua atualização.
As redes sociais permitiriam que os bibliotecários e utilizadores interagissem, mas compartilhassem e transformassem recursos dinamicamentte num meio eletrónico.
Tagging permite aos utilizadores criar cabeçalhos de assunto para o objeto que tiverem em mãos.
Como Shanni (2006)descreve, tagging é essencialmente Web 2.0 pois permite aos utilizadores adicionar e modificar não só conteúdos(dados) mas o conteúdo que descreve o conteúdo(metadados).Outra aposta interessante.
No flick, os utilizadores etiquetam figuras, no Librarything rotulam livros; na Web 2.0 poderiam etiquetar a coleção da biblioteca e assim participar no processo de catalogação.
Embora fugindo à classificação padronizada, tagging permitiria uma indexação mais fácil de ler, facilitando a busca da informação (por cabeçalho de assunto).
Tags realizados pelos utilizadores e assuntos padronizados podem coexistir num catálogo da biblioteca 2.0.
O catálogo de tags seria aberto, centrado nos utilizadores, que acrescentam tags às fontes e disponível ao público. A biblioteconomia no seu melhor.
Seria um recurso/serviço útil ao processo de catalogação da coleção existente.
A organização do conteúdo permitida pelos RSS feeds, alimentadores RSS e outras tecnologias é outra aplicação da Web 2.0 com impacto nas bibliotecas.
As bibliotecas estão a criar alimentadores RSS para os utilizadores se inscreverem, incluindo atualização sobre os novos itens da coleção, novos serviços e conteúdos. O blogbridgeblogbridgelibratry (BBL) é um software que se pode instalar no servidor principal e que organiza não o conteúdo da biblioteca (os livros), ,mas a biblioteca(a construção).
BBL e redes sociais da biblioteca permitem que os utilizadores tenham uma página na biblioteca que organiza todos os conteúdos da mesma , o que os interessa, e a sua pesquisa elimina informação irrelevante.
Os mashups são aplicações híbridas onde duas ou mais tecnologias ou serviços são combinados num novo serviço.
A Wikibios é um site onde os utilizadores criam biografias online, misturando blogs com redes sociais.
A própria biblioteca 2.0 é um mashup, um híbrido de blogs, wikis, streaming media, agregadores de conteúdos ,IM e redes sociais.
É centrada no utilizador e dirigida por este; é um mashup de serviços tradicionais da biblioteca e serviços inovadores Web 2.0;uma biblioteca para o século XXI, rica em conteúdos , interatividade e atividade social.
O Crelorosae é uma biblioteca que representa um mashup pela existência de uma webpágina, blogue, streaming media, alimentadores RSS ,ao serviço da informação. Deveria porém integrar mais tecnologias facilitadas pela Web 2.0 como forma de garantir a colaboração dos seus utilizadores no catálogo da coleção existente através , por exemplo, do tagging.
A aposta na qualificação profissional da equipa coordenadora no que concerne o domínio das literacias digitais e tecnológicas seria pertinente ,dado o contexto da mesma.
E esperemos por uma nova geração Web !...